segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Posição relativa de Portugal no tratamento da Diabetes

Portugal ocupa a antepenúltima posição entre os países da União Europeia numa classificação sobre tratamento de diabetes elaborada pela organização «Health Consumer Powerhouse» e, esta terça-feira, divulgada em Bruxelas, escreve a Lusa. O «Primeiro Índice Europeu do Consumidor sobre a Diabetes» compara os sistemas de saúde dos 27 Estados-membros da UE e ainda Suíça e Noruega, focando-se em cinco áreas essenciais - informação, direitos e escolha do paciente, generosidade, prevenção e acesso a procedimentos e resultados -, e abrangendo 26 indicadores de desempenho. Portugal, com 513 pontos em 1.000 possíveis, surge no 27º posto da classificação, apenas à frente da Bulgária (470 pontos) e Chipre (508), sendo a lista encabeçada pela Dinamarca (837 pontos), seguida pelo Reino Unido (836) e pela França (814). «Não existe uma educação formal para formar e ensinar as enfermeiras da diabetes e os pouquíssimos ortopedistas - uma área básica para evitar amputações, nem há médicos suficientes com conhecimentos específicos sobre as complicações da diabetes para os olhos. Isto leva a longas listas de espera para a cirurgia da vista", afirmou a chefe de projecto para o Índice sobre a Diabetes, Beatriz Cebolla Garrofé, comentando a situação em Portugal. O «Índice» foi compilado pela «Health Consumer Powerhouse», uma organização sueca especializada na informação aos consumidores sobre cuidados de saúde, a partir de uma combinação de estatísticas públicas e de pesquisa independente, tendo este sido centrado nas categorias de informação, direitos e escolha do paciente, acesso, prevenção, processos e resultados, e financiado pela empresa Pfizer. De acordo com dados preliminares de um estudo nacional divulgados em Junho passado, a percentagem de diabéticos em Portugal deve oscilar entre os 8,5 e os 10 por cento da população total.

Sitagliptina -utilização em humanos para tratatamento da Diabetes tipo 1.

Um estudo inédito de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), mostrou que o uso do medicamento sitagliptina, pode deter o diabetes tipo 1 em humanos. Esta é a primeira vez que a substância é testada em humanos e os resultados preliminares dos testes em dois pacientes mostraram que o medicamento permitiu a redução das aplicações diárias de insulina necessárias para controlar os níveis de açúcar no sangue. O estudo ainda está em andamento e os testes que comprovarão a eficácia do tratamento ainda devem prolongar-se por tempo indeterminado. Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, um dos pesquisadores do estudo, o diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico destrói o próprio órgão do paciente, neste caso as células do pâncreas que produzem a insulina, hormona que controla as taxas de açúcar no sangue (glicemia). “O paciente com esse tipo de diabetes precisa de aplicar injecções de insulina várias vezes ao dia, caso contrário corre o risco de morrer”. Segundo Couri, os testes com a sitagliptina estão a ser feitos com dois pacientes desde Fevereiro. Esses pacientes fazem parte de um grupo de 23 voluntários que participam numa pesquisa inédita no mundo para controle da diabetes tipo 1 com células-tronco, iniciada em 2003. “Com as células-tronco nós conseguimos suspender o uso da insulina na grande maioria dos pacientes, com muito êxito”. Dos 23 pacientes, 20 pararam de usar a insulina em algum momento. Desses, 14 estão continuamente sem usar a insulina, em média há dois anos. Entretanto, os dois pacientes, um há quatro anos e outro há pouco mais de três anos sem tomar insulina, precisaram de retomar seu uso. Foi nesse momento que os pesquisadores resolveram experimentar nessas pessoas a sitagliptina, medicamento novo que vem sendo usado com sucesso em pacientes da diabetes tipo 2. “Esse remédio faz com que as células do pâncreas que produzem insulina se proliferem e impede a actuação do glucagon, que é a hormona rival da insulina”. Couri afirmou que depois de dois meses de utilização desse medicamento nesses pacientes, os pesquisadores conseguiram suspender novamente a aplicação da insulina, o que incentivou os médicos a testarem o remédio em outros pacientes do grupo. O paciente toma a insulina associada à sitagliptina por via oral uma vez ao dia, ao acordar. “Todos eles já estão com redução de dose da insulina aplicada durante o dia. Eles tomam os dois medicamentos e à medida que o tempo vai passando vamos percebendo que eles precisam cada vez menos de insulina”. Mesmo assim Couri reforçou que o estudo ainda não foi concluído e está apenas no início, portanto, o medicamento só deve ser utilizado pelos voluntários do estudo, que são acompanhados pela equipe médica responsável pela pesquisa. “Não sabemos o que isso vai trazer daqui a dez anos para os pacientes. Nada disso é garantido, por isso passa pelo Comité de Ética e os pacientes assinam um termo. E nós evitamos falar em cura para não criar falsas expectativas”. O endocrinologista disse ainda que para que a sitagliptina seja indicada para os pacientes do diabetes tipo 1 é necessário que os testes sejam feitos num grande número de voluntários.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Descoberta de nova hormona: lipoquina.

Cientistas identificaram uma substância no organismo humano que pode levar a outras formas de combater a diabetes e alguns tipos de doenças relacionadas com a obesidade. Chamado lipoquinas, o novo tipo de hormona identificado pelos cientistas faz parte de uma classe de hormonas produzidas pela gordura corporal. Quando em equilíbrio, previne a acumulação de gordura no fígado e melhora a capacidade do organismo controlar a glicose. A descoberta feita por cientistas da Harvard School of Public Health e liderada por Gokhan Hotamisligil está na publicação Cell deste mês e mostra um estudo feito com ratos. Uma das funções das hormonas é actuar como mensageiros químicos do corpo, levando informações para células e órgãos. Estas informações são fundamentais para vários processos, entre eles o crescimento, o equilíbrio do metabolismo e o humor. As hormonas já conhecidas pelos médicos dividem-se em dois grupos - as derivadas de esteróides ou de proteínas. Segundo Hotamisligil, este é o primeiro exemplo de um grupo de hormonas derivado da gordura. Por enquanto, pesquisadores devem chamar a nova substância de lipoquinas (lipokines, em inglês). Se as lipoquinas funcionarem em humanos como funcionaram nos testes com ratos, acredita Hotamisligil, a descoberta da cura para a diabetes, assim como a de outras doenças hepáticas, está próxima. “Temos evidências de que estas hormonas são produzidas apenas pelas células de gordura” - afirma Hotamisligil. Uma das funções das lipoquinas é transmitir informações para o fígado que evitem que o órgão acumule gordura excessiva. A hormona também optimiza o uso de glicose pela musculatura. Equilibrando a acção das lipoquinas em diabéticos, estes pacientes não teriam mais dificuldade em controlar a glicose. Além disso, a acumulação de gordura no fígado ficaria mais difícil.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Conversão de céluas vivas em células produtoras de insulina

Investigadores norte-americanos conseguiram converter células vivas normais em células capazes de produzir insulina, descoberta que pode ajudar a combater a diabetes, segundo um estudo publicado na revista "Nature". Para este efeito, os investigadores utilizaram três genes de um vírus comum para transformar células exócrinas, que cobrem cerca de 95 por cento do pâncreas, em células beta, em menor número e cuja função é produzir insulina. As células beta são as primeiras a serem destruídas nos diabéticos de Tipo 1 ou diabetes juvenil. Na diabetes Tipo 1, o sistema imunitário, através de um processo auto-imune, destrói as células beta do pâncreas que, assim, deixam de produzir insulina. Com esta técnica, os investigadores conseguiram modificar células vivas, sem necessidade de utilizar células-mãe as quais, até à data, têm sido indispensáveis na técnica de regeneração de tecidos. O responsável pelo estudo, Douglas Melton, referiu que esta descoberta "abre as portas" para a manipulação de outro tipo de células humanas, como as do fígado ou da pele. A grande dificuldade da investigação foi identificar os genes que fazem as células beta produzir insulina, já que, ainda que cada célula contenha o código genético completo, apenas certos genes trabalham para a produção de insulina. Dos mais de mil genes estudados, os investigadores acabaram por concluir que apenas necessitavam de três: Ngn3, Pdx1 e AFP, os quais introduziram no organismo através de um vírus de resfriado para que chegasse ao suco gástrico, no qual se encontram as células exócrinas. Uma vez dentro do organismo, os investigadores descobriram que cerca de 20 por cento das células exócrinas se convertiam em células beta capazes de produzir insulina, reduzindo o nível de açúcar no sangue. A equipa acredita que este método possa ser mais eficaz nos diabéticos de Tipo 2, cujo organismo não é mesmo capaz de produzir insulina. No caso da diabetes Tipo 1 ainda é necesario descobrir a forma de evitar que o organismo "ataque" as células beta, já que qualquer célula transformada é destruída pelo sistema imunitário. Para consultar mais notícias sobre este tema, clique aqui.