quinta-feira, 16 de abril de 2009

A MINHA EXPERIÊNCIA
Era mais um ano lectivo que ia começar, e uma nova realidade a conhecer…
Como é hábito em Setembro reuni com os Pais das crianças, fazendo assim o primeiro contacto com os Encarregados de educação dos que irião ser “ os meus alunos”.
No final da reunião e após tudo ter decorrido dentro da normalidade um casal aproximou-se de mim e disse: “ - … o nosso filho é diabético.”
O meu pensamento foi: “ E agora?”
Quando tirei o curso estudei várias doenças relacionadas com o desenvolvimento das crianças e das suas aprendizagens mas nunca se falou em crianças diabéticas. Leccionei por vários locais no nosso país incluindo Madeira e Açores mas nunca tive alunos diabéticos.
Então logo nesse dia, fui recolher informação e investigar o problema.
Os Pais logo de início deram-me a informação essencial e depois com o passar dos dias fui aprendendo a lidar com a situação.
O aluno tinha acabado de entrar para o primeiro ano e ainda não sabia ler os valores. Eu limitava-me a cumprir o que os Pais me iam solicitando. Tentava fazer o melhor que podia porque era fundamental eles confiarem em mim e estarem minimamente descansados enquanto o filho estivesse na Escola.
Por vezes há o receio que a qualquer momento algo possa falhar, mas isso certamente também acontece em casa.
A criança na sala de aula é um aluno igual aos outros e faz tudo o que os outros fazem.
Geralmente lancha quinze minutos antes dos colegas, mas isso em nada interfere o normal funcionamento das actividades.
Á saída para o almoço tem que se picar mas isso é um ritual que faz parte, tal como lavar as mãos antes de comer.
De vez em quando a criança tem quebra de valores entre as catorze e trinta e as quinze horas, mas já conheço tão bem os sinais que ás vezes basta uma troca de olhar para saber que o melhor é ir picar.
Houve colegas que no inicio me assustavam e me diziam: “ … e se ele entrar em coma?”
Mas os próprios Pais sabem que isso pode acontecer tanto na Escola, como em casa, como noutro local qualquer.
É preciso é estarmos atentos, com o vigiar permanente e a colaboração incondicional dos Pais. A sintonia entre Professor e Pais é fundamental.
Está a ser um desafio e uma experiência marcante porque se voltar a ter um aluno diabético já tenho a lição estudada.
Maria da Conceição Andrade Silva
(Professora Primária)

Amizade em Meirinhas

AMIZADE EM MEIRINHAS
Era cedo, o tempo parecia estar bom, fiz votos para que assim continuasse, era importante que o dia fosse bonito.
Finalmente tinha chegado o dia dos meninos diabéticos, como diz a Inês!
A azáfama foi grande para chegarmos a horas e a ansiedade também, porque é sempre um dia diferente para nós e para os nossos filhos. Sabemos que é nestes encontros que libertamos algumas frustrações e que partilhamos as vitórias. Para os nossos filhos, nesse dia, deixam de ser os “únicos” os únicos que fazem testes de glicemia, os únicos que dão insulina, os únicos que contam equivalentes, … ali todos são iguais e isso é importante para eles, para que sintam que não estão sós nesta caminhada.
Ao chegarmos fomos surpreendidos com tantas caras novas que ficamos entre o contente e o descontente, não sabíamos se eram diagnósticos recentes da Diabetes ou então famílias que finalmente decidiram juntar-se a nós (desejámos que fosse a segunda hipótese).
A Inês integrou-se rapidamente no grupo dos jogos tradicionais e sempre à procura de caras conhecidas (-Papá, a Sofia já chegou? - ia perguntando).
Os mais crescidos ficaram um bocadinho frustrados, por motivos alheios à organização do encontro, as actividades programadas tinham sofrido alterações, mas não foi por isso que ficámos parados. Fizemos um bota-fora de futebol e outro de andebol e rapidamente, todos se sentiram integrados.
O fim da manhã chegou com um espectáculo surpresa, os mais pequenos, e não só, ficaram de boca aberta com a agilidade, ritmo e guarda-roupa que o grupo de dança nos apresentou o nosso muito obrigado a todos eles.
A hora de almoço chegou, as glicemias tinham razões para estar baixas, depois de tanta agitação!
A seguir ao almoço e enquanto se esperava pela sessão temática “Hipoglicémia” trocaram-se algumas impressões, alguns procuravam saber mais sobre a bomba infusora de insulina, junto de quem já a usa, outros trocavam experiencias do dia-a-dia dos seus filhos.
Seguiu-se a sessão temática onde foi possível tirar algumas dúvidas e relembrar o quanto é importante a sua rápida correcção.
Os mais pequenos voltaram aos jogos e desta vez o grupo estava bastante maior o divertimento foi imenso e desgastante.
Chegou a hora da despedida, para a Inês ainda era cedo, mas foi com a promessa de nos voltarmos a encontrar brevemente que nos despedimos.
Um bem-haja a todos os que fazem com que seja possível haver dias como este para os nossos filhos.
Continuem a participar, é importante para todos!
Até breve
Fernando Pires e Celeste Pires (os Pais de Inês Pires)

Mini DTT 2008

Mini – DTT 2008
Campo de Férias Diabéticos Todo Terreno
É um espaço de:
- Identificação
- Facilidade de integração porque falamos a mesma “linguagem”
- Transmissão de valores e comportamentos
- Troca de experiências e conhecimentos
- Reflexão
- Aprendizagem/reciclagem do conhecimento da diabetes
“constitui o verdadeiro pilar que sustenta a vida presente e futura dos nossos filhos/família”
Neste fim-de-semana aprendemos que o lema “todos diferentes todos iguais”serve também para a diabetes, porque embora com vidas, temperamentos e vindos de lugares diferentes todos nós temos um objectivo comum: superar os medos / controlar a diabetes para melhorar a qualidade de vida.
No nosso grupo temos um menino portador de trissomia 21 e diabético, no entanto sente-se totalmente integrado e feliz.
Aprendemos também, que o MEDO ...que normalmente está associado à ansiedade e à insegurança pode ser controlado e quem sabe... eliminado através dos conhecimentos adquiridos quer ao nível da formação que nos foi ministrada pela equipa técnica, bem como da troca de experiência com as diferentes famílias.
VALEU A PENA??? !!!
MENSAGENS DO GRUPO:
Para os que estivemos juntos nos encontros anteriores ... ficamos contentes por continuarmos juntos a participar nestes encontros. Isto é mesmo, muito bom!!!
Para os que vieram pela 1ª vez ... é sempre bom conhecermos novas famílias e partilharmos interesse comuns. A expectativa era grande e foi superada.
Para os que nunca vieram ... a mensagem que gostariamos de passar é: “atrevam-se ... o vosso dia chegará”.
“Junto do progresso é sempre possível o regresso.” Até para o ano...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Nova consulta terapêutica e educacional da Diabetes

O Hospital de Santo António, Porto, anunciou esta quinta-feira a criação da Consulta Terapêutica Educacional da Diabetes cujo objectivo é fornecer ao doente estratégias para uma melhor compreensão e relação com esta doença que afecta cerca de um milhão de portugueses, escreve a Lusa. Trata-se de uma missão partilhada por uma equipa composta por médico, enfermeiro, nutricionista, podologista, assistente social e psicólogo. Pretende-se que durante cerca de cinco meses, os doentes frequentem quatro sessões da Consulta Terapêutica Educacional da Diabetes (CTED) nas quais «serão abordados conceitos que, devidamente aplicados, lhes permitirão ter uma vida saudável com a sua diabetes», explicou a especialista. Segundo Isabel Mangas Palma, médica Endocrinologista e responsável pela consulta, a diabetes Mellitus (DM) é a principal causa de cegueira, insuficiência renal e doença cárdio e cerebrovascular. A CTED permite uma abordagem global do doente, permitindo identificar e tratar eficazmente problemas de várias ordens que poderão estar na base do mau controlo metabólico. «No início e no fim do processo, os doentes são avaliados analiticamente de modo a ser traçada com maior precisão a sua evolução e de forma a tornarem-se independentes no controlo da doença», acrescentou Isabel Mangas Palma. Na fase piloto da consulta foram atendidos 120 diabéticos. Os dados hoje revelados referem que 67 por cento dos doentes que integraram esta fase foram já referenciados aos cuidados do médico de família. «Isto significa que após as quatro sessões registam uma melhoria significativa do controlo metabólico e estão aptas a gerir a sua diabetes mellitus», frisou a médica endocrinologista responsável pela consulta.

Posição relativa de Portugal no tratamento da Diabetes

Portugal ocupa a antepenúltima posição entre os países da União Europeia numa classificação sobre tratamento de diabetes elaborada pela organização «Health Consumer Powerhouse» e, esta terça-feira, divulgada em Bruxelas, escreve a Lusa. O «Primeiro Índice Europeu do Consumidor sobre a Diabetes» compara os sistemas de saúde dos 27 Estados-membros da UE e ainda Suíça e Noruega, focando-se em cinco áreas essenciais - informação, direitos e escolha do paciente, generosidade, prevenção e acesso a procedimentos e resultados -, e abrangendo 26 indicadores de desempenho. Portugal, com 513 pontos em 1.000 possíveis, surge no 27º posto da classificação, apenas à frente da Bulgária (470 pontos) e Chipre (508), sendo a lista encabeçada pela Dinamarca (837 pontos), seguida pelo Reino Unido (836) e pela França (814). «Não existe uma educação formal para formar e ensinar as enfermeiras da diabetes e os pouquíssimos ortopedistas - uma área básica para evitar amputações, nem há médicos suficientes com conhecimentos específicos sobre as complicações da diabetes para os olhos. Isto leva a longas listas de espera para a cirurgia da vista", afirmou a chefe de projecto para o Índice sobre a Diabetes, Beatriz Cebolla Garrofé, comentando a situação em Portugal. O «Índice» foi compilado pela «Health Consumer Powerhouse», uma organização sueca especializada na informação aos consumidores sobre cuidados de saúde, a partir de uma combinação de estatísticas públicas e de pesquisa independente, tendo este sido centrado nas categorias de informação, direitos e escolha do paciente, acesso, prevenção, processos e resultados, e financiado pela empresa Pfizer. De acordo com dados preliminares de um estudo nacional divulgados em Junho passado, a percentagem de diabéticos em Portugal deve oscilar entre os 8,5 e os 10 por cento da população total.

Sitagliptina -utilização em humanos para tratatamento da Diabetes tipo 1.

Um estudo inédito de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (FMRP-USP), mostrou que o uso do medicamento sitagliptina, pode deter o diabetes tipo 1 em humanos. Esta é a primeira vez que a substância é testada em humanos e os resultados preliminares dos testes em dois pacientes mostraram que o medicamento permitiu a redução das aplicações diárias de insulina necessárias para controlar os níveis de açúcar no sangue. O estudo ainda está em andamento e os testes que comprovarão a eficácia do tratamento ainda devem prolongar-se por tempo indeterminado. Segundo o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, um dos pesquisadores do estudo, o diabetes tipo 1 é uma doença auto-imune, ou seja, o sistema imunológico destrói o próprio órgão do paciente, neste caso as células do pâncreas que produzem a insulina, hormona que controla as taxas de açúcar no sangue (glicemia). “O paciente com esse tipo de diabetes precisa de aplicar injecções de insulina várias vezes ao dia, caso contrário corre o risco de morrer”. Segundo Couri, os testes com a sitagliptina estão a ser feitos com dois pacientes desde Fevereiro. Esses pacientes fazem parte de um grupo de 23 voluntários que participam numa pesquisa inédita no mundo para controle da diabetes tipo 1 com células-tronco, iniciada em 2003. “Com as células-tronco nós conseguimos suspender o uso da insulina na grande maioria dos pacientes, com muito êxito”. Dos 23 pacientes, 20 pararam de usar a insulina em algum momento. Desses, 14 estão continuamente sem usar a insulina, em média há dois anos. Entretanto, os dois pacientes, um há quatro anos e outro há pouco mais de três anos sem tomar insulina, precisaram de retomar seu uso. Foi nesse momento que os pesquisadores resolveram experimentar nessas pessoas a sitagliptina, medicamento novo que vem sendo usado com sucesso em pacientes da diabetes tipo 2. “Esse remédio faz com que as células do pâncreas que produzem insulina se proliferem e impede a actuação do glucagon, que é a hormona rival da insulina”. Couri afirmou que depois de dois meses de utilização desse medicamento nesses pacientes, os pesquisadores conseguiram suspender novamente a aplicação da insulina, o que incentivou os médicos a testarem o remédio em outros pacientes do grupo. O paciente toma a insulina associada à sitagliptina por via oral uma vez ao dia, ao acordar. “Todos eles já estão com redução de dose da insulina aplicada durante o dia. Eles tomam os dois medicamentos e à medida que o tempo vai passando vamos percebendo que eles precisam cada vez menos de insulina”. Mesmo assim Couri reforçou que o estudo ainda não foi concluído e está apenas no início, portanto, o medicamento só deve ser utilizado pelos voluntários do estudo, que são acompanhados pela equipe médica responsável pela pesquisa. “Não sabemos o que isso vai trazer daqui a dez anos para os pacientes. Nada disso é garantido, por isso passa pelo Comité de Ética e os pacientes assinam um termo. E nós evitamos falar em cura para não criar falsas expectativas”. O endocrinologista disse ainda que para que a sitagliptina seja indicada para os pacientes do diabetes tipo 1 é necessário que os testes sejam feitos num grande número de voluntários.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Descoberta de nova hormona: lipoquina.

Cientistas identificaram uma substância no organismo humano que pode levar a outras formas de combater a diabetes e alguns tipos de doenças relacionadas com a obesidade. Chamado lipoquinas, o novo tipo de hormona identificado pelos cientistas faz parte de uma classe de hormonas produzidas pela gordura corporal. Quando em equilíbrio, previne a acumulação de gordura no fígado e melhora a capacidade do organismo controlar a glicose. A descoberta feita por cientistas da Harvard School of Public Health e liderada por Gokhan Hotamisligil está na publicação Cell deste mês e mostra um estudo feito com ratos. Uma das funções das hormonas é actuar como mensageiros químicos do corpo, levando informações para células e órgãos. Estas informações são fundamentais para vários processos, entre eles o crescimento, o equilíbrio do metabolismo e o humor. As hormonas já conhecidas pelos médicos dividem-se em dois grupos - as derivadas de esteróides ou de proteínas. Segundo Hotamisligil, este é o primeiro exemplo de um grupo de hormonas derivado da gordura. Por enquanto, pesquisadores devem chamar a nova substância de lipoquinas (lipokines, em inglês). Se as lipoquinas funcionarem em humanos como funcionaram nos testes com ratos, acredita Hotamisligil, a descoberta da cura para a diabetes, assim como a de outras doenças hepáticas, está próxima. “Temos evidências de que estas hormonas são produzidas apenas pelas células de gordura” - afirma Hotamisligil. Uma das funções das lipoquinas é transmitir informações para o fígado que evitem que o órgão acumule gordura excessiva. A hormona também optimiza o uso de glicose pela musculatura. Equilibrando a acção das lipoquinas em diabéticos, estes pacientes não teriam mais dificuldade em controlar a glicose. Além disso, a acumulação de gordura no fígado ficaria mais difícil.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Conversão de céluas vivas em células produtoras de insulina

Investigadores norte-americanos conseguiram converter células vivas normais em células capazes de produzir insulina, descoberta que pode ajudar a combater a diabetes, segundo um estudo publicado na revista "Nature". Para este efeito, os investigadores utilizaram três genes de um vírus comum para transformar células exócrinas, que cobrem cerca de 95 por cento do pâncreas, em células beta, em menor número e cuja função é produzir insulina. As células beta são as primeiras a serem destruídas nos diabéticos de Tipo 1 ou diabetes juvenil. Na diabetes Tipo 1, o sistema imunitário, através de um processo auto-imune, destrói as células beta do pâncreas que, assim, deixam de produzir insulina. Com esta técnica, os investigadores conseguiram modificar células vivas, sem necessidade de utilizar células-mãe as quais, até à data, têm sido indispensáveis na técnica de regeneração de tecidos. O responsável pelo estudo, Douglas Melton, referiu que esta descoberta "abre as portas" para a manipulação de outro tipo de células humanas, como as do fígado ou da pele. A grande dificuldade da investigação foi identificar os genes que fazem as células beta produzir insulina, já que, ainda que cada célula contenha o código genético completo, apenas certos genes trabalham para a produção de insulina. Dos mais de mil genes estudados, os investigadores acabaram por concluir que apenas necessitavam de três: Ngn3, Pdx1 e AFP, os quais introduziram no organismo através de um vírus de resfriado para que chegasse ao suco gástrico, no qual se encontram as células exócrinas. Uma vez dentro do organismo, os investigadores descobriram que cerca de 20 por cento das células exócrinas se convertiam em células beta capazes de produzir insulina, reduzindo o nível de açúcar no sangue. A equipa acredita que este método possa ser mais eficaz nos diabéticos de Tipo 2, cujo organismo não é mesmo capaz de produzir insulina. No caso da diabetes Tipo 1 ainda é necesario descobrir a forma de evitar que o organismo "ataque" as células beta, já que qualquer célula transformada é destruída pelo sistema imunitário. Para consultar mais notícias sobre este tema, clique aqui.

Retinopatia: pressões distólica e sistólica

Um estudo realizado por investigadores australianos revela que as pressões sistólica e diastólica podem prever a retinopatia precoce em adolescentes com diabetes tipo 1.
O trabalho vem publicado na revista British Medical Journal (BMJ). O estudo, realizado no Children’s Hospital at Westmead, na University of Sydney e na University of New South Wales, avaliou 1.869 adolescentes diabéticos, com uma média etária de 13,4 anos e média de 4,9 anos de duração da doença.
Ao longo do acompanhamento, 673 desenvolveram retinopatia (36%) em 4,1 anos.
No grupo sem retinopatia, foi verificado que maiores níveis de pressão arterial sistólica e diastólica antecederam o aparecimento de retinopatia.
No subgrupo de pacientes com taxa de eliminação de albumina abaixo de 7,5 µg/min, o risco de aparecimento de retinopatia em 10 anos de duração da diabetes foi maior nos que manifestaram maiores níveis de pressão arterial sistólica ou diastólica.
Em conclusão, o estudo refere que a pressão arterial sistólica e diastólica são bons indicadores para o aparecimento de retinopatia e aumentam a probabilidade de retinopatia precoce, independentemente da presença de nefropatia incipiente, em pacientes jovens com diabetes tipo 1.

Chá de camomila e diabetes

Investigadores japoneses e britâncos alimentaram ratos diabéticos com extracto de camomila. Os resultados foram animadores mas ainda não se sabe quais os efeitos de uma dose diária de chá nos humanos que sofrem de diabetes do tipo 2.
O chá de camomila não trata a doença mas poderá ajudar a prevenir as complicações que por vezes surgem na sequência de diabetes do tipo 2 como, por exemplo, a perda de visão ou os danos causados nos rins.
A conclusão, que deve ser lida com cautela, foi obtida na sequência de um estudo com ratos alimentados a extracto de camomila.
Numa notícia publicada na BBC online, a equipa de cientistas relata que a dose de chá terá reduzido os níveis de açúcar e bloqueado a actividade da enzima associada às complicações das diabetes. Porém, é cedo para extrapolar os resultados da pesquisa para os humanos.
Os investigadores da Universidade de Toyama alimentaram os ratos doentes durante 21 dias e compararam os resultados com um grupo de controlo de animais diabéticos com uma dieta normal.
Os registos mostram que os níveis de glicose no sangue eram significativamente mais baixos nos ratos alimentados com o extracto que aparentemente inibiu a produção de açúcar no fígado.
A associação britânica da diabetes reagiu com algum cepticismo. “É preciso mais investigação antes de avançar para conclusões sobre o papel do chá de camomila no combate às diabetes e suas complicações”, referiu Victoria King à BBC online adiantando que a associação não vai, para já, recomendar aos doentes que aumentem o consumo de camomila. Em vez disso, Victoria King insiste em recomendar aos diabéticos uma dieta saudável, actividade física regular e cumprir a terapêutica prescrita pelo médico.
Para ver mais notícias sobre este tema, clique aqui.

Tratamento intensido da diabetes: vantagens

Os pacientes com diabetes que recebem tratamento intensivo com fármacos, logo após o diagnóstico, são mais saudáveis quando envelhecem, mesmo se forem menos rigorosos com o controlo do açúcar no sangue mais tarde, segundo investigadores britânicos. Isto significa que pode ser importante a prescrição de fármacos para a diabetes inicialmente, mesmo para pacientes recentemente diagnosticados com diabetes tipo 2, em vez de tentar que estes sigam primeiro uma dieta e exercício físico. De acordo com o investigador principal, Rury Holman, da Universidade de Oxford, agora sabe-se que um bom controlo da glicose, desde que a diabetes tipo 2 é diagnosticada, não só reduz a taxa de complicações diabéticas, mas também que esta intervenção precoce leva a benefícios sustentados a longo prazo. Os novos resultados do estudo de grande escala, em progresso desde 1998, publicados na "New England Journal of Medicine", demonstraram que os efeitos protectores de um melhor controlo da glicose inicialmente permaneceram após 10 anos para o olho diabético e doença renal. Os pacientes que receberam fármacos genéricos da classe das sulfonilureias, para baixar o açúcar no sangue para níveis desejáveis, apresentaram uma redução de 15 por cento do risco de ataques cardíacos e tiveram menos 13 por cento de probabilidade de morrer, em comparação com os voluntários que controlaram a diabetes maioritariamente com uma dieta rigorosa. O impacto foi maior nos pacientes a tomar metformina, que tiveram uma redução de 33 por cento do risco de ataques cardíacos e tiveram menos 27 por cento de probabilidade de morrer do que aqueles no grupo da dieta. Os investigadores também descobriram que baixar a pressão sanguínea é importante para minimizar as complicações da diabetes, mas ao contrário do açúcar no sangue, os benefícios não aumentam com o tempo.
Na diabetes tipo 2, o organismo perde gradualmente a capacidade de utilizar convenientemente a insulina para converter os alimentos em energia. Os níveis de açúcar disparam, o que pode danificar os olhos e rins, e provocar doença cardíaca, acidente vascular cerebral e amputações de membros. Estima-se que a doença afecte 246 milhões de adultos a nível mundial, sendo responsável por 6 por cento de todas as mortes globais. A diabetes tipo 2 corresponde a cerca de 90 por cento de todos os casos de diabetes e está intimamente ligada à obesidade e inactividade física. Uma dieta muito rigorosa e exercício físico vigoroso, regular e sustentado pode reverter a diabetes tipo 2, mas isto pode ser difícil para muitas pessoas.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal

Caros Amigos
Estou a escrever-lhes para, em nome da Direcção dos DTT, lhes desejar, a vós e a toda a vossa Família, os melhores votos de um Bom Natal e de um Feliz Ano Novo.
No ano que está a terminar recebemos boas notícias da parte das nossas autoridades, relativamente ao apoio à diabetes, nomeadamente em relação à comparticipação na insulina lenta e nas bombas infusoras, reivindicações que os DTT, juntamente com muitas outras entidades, vinham a apresentar ao Governo desde há muito tempo.

Este é um motivo de alegria para todos e mostra como a união dos nossos esforços pode contribuir para uma melhoria da situação de todos.

Nesta altura, em que cesso as minhas funções como Presidente da Direcção dos DTT, quero aproveitar a ocasião para vos manifestar ogosto que tive em servir a Associação durante estes seus primeiros anos de vida e o orgulho que senti por vê-la crescer e afirmar-se como uma instituição dinâmica e activa, que está a fazer o bem a muitas pessoas.

Este sucesso deve-se ao trabalho, generosidade e competência de muitas pessoas, na Direcção da Associação, nos Núcleos e nas Unidades Hospitalares, que se têm dedicado com a maior generosidade a esta tarefa, em benefício das nossas crianças e jovens. Não quero deixar de agradecer a todos e de lhes pedir que continuem a contribuir com o seu esforço para manter a alegria dos nossos DTT, que é o factor da nossa maior satisfação e a única retribuição que procuramos.

Reiterando os melhores votos de uma boa temporada de Natal e de Festas, com muito bom controlo e alegria para todos, despeço-me com os meus melhores cumprimentos

O Presidente da Direcção dos DTT

Domingos Xavier Viegas

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Vitamina D e Diabetes - Jorge Loureiro

A toma de suplementos de vitamina D pode reduzir os riscos de mortalidade provocada por doenças como o Cancro ou a Diabetes, segundo um estudo que reforça a tese de que os antioxidantes têm um grande potencial terapêutico. Os médicos Philippe Autier, da International Agency for Research on Cancer (IARC) de Lyon, França, e Sara Gandini, do European Institute of Oncology em Milão, Itália, analisaram os resultados de 18 testes clínicos realizados antes de Novembro de 2006 com 57.311 pessoas com mais de 50 anos. Durante um período médio de acompanhamento de 5,7 anos, as pessoas que tomaram vitamina D apresentaram um risco de mortalidade 7% menor comparado com o grupo que tomou placebo, concluíram os investigadores, cujos trabalhos foram publicados pelo "Journal of the American Medical Association". Os resultados corroboram estudos recentes que indicam que deficiências em vitamina D aumentam o risco de morte por Cancro, Doenças Cardiovasculares e Diabetes, responsáveis por 60% a 70% das mortes nos países desenvolvidos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

A diabetes em 2007 - Jorge Loureiro

Todo o bom e tradicional livro sobre a diabetes começa com a história da doença.

Aprende-se que se trata de uma patologia antiga, que Banting & Best foram os descobridores da insulina e muitas outras coisas.

Porém, é sabido que os conhecimentos sobre a diabetes experimentaram uma dramática evolução nos últimos anos, não só quanto aos mecanismos patológicos das doenças, mas também em relação às novas opções terapêuticas, todas elas desenvolvidas com base no próprio mecanismo fisiopatológico da diabetes.

Esta fantástica evolução nos conhecimentos foi fonte indiscutível de boas e más notícias.

Começando pelas últimas, sabe-se que embora com carácter controlável, a diabetes vem despontando como uma epidemia de graves proporções; a sua prevalência vem aumentando assustadoramente, como resultado, além do mais, do envelhecimento da população e das alterações negativas no estilo de vida.

Além disso, a doença tem-se manifestado em idades cada vez mais precoces.

Não existe, tanto quanto se sabe, um gene único que seja o causador solitário da doença, assim se frustrando o trabalho de muitos pesquisadores.

Os geneticistas acreditam, hoje, que um grupo de genes disseminados pelo genoma, em combinações variáveis e numa interacção complexa com factores adquiridos, levam ao aparecimento da diabetes e das suas complicações, cujo impacto varia de indivíduo para indivíduo.

Finalmente, tende a desaparecer a distinção clássica entre a diabetes do tipo 1 ou 2, sendo já reconhecida a do “tipo 1,5” (a diabetes auto-imune latente do adulto); têm-se diagnosticado muitos casos de diabetes tipo 2 em adolescentes e casos de diabetes do tipo MODY, onde existe uma alteração genética; surgiram, ainda, várias formas de intolerância à glicose, como as encontradas na gestação, ovário policístico e esteato-hepatite.

Entretanto, a evolução do conhecimento também trouxe boas notícias.

Por exemplo, são hoje compreendidos todos os aspectos fisiopatológicos das hiperglicémias e é possível conhecer os níveis de glicémia em qualquer momento, com tecnologias portáteis de ponta.

São compreendidas, também, as bases celulares da resistência à insulina que prediz, precede e caracteriza a intolerância à glicose.

Existem conhecimentos profundos do papel do pâncreas endócrino na diabetes e, também, do seu papel na perda progressiva ou abrupta da função das células beta.

São reconhecidos, cada vez mais, os efeitos das hormonas gastrointestinais no controle glicémico, bem como os efeitos nocivos da obesidade e do sobrepeso no controle da diabetes.

Estão avançados os estudos sobre os mecanismos de hipertrofia das ilhotas (neogénese vs replicação).

Estes novos conhecimentos resultaram em intensa actividade da indústria farmacêutica.

Por mais de meio século, os únicos tratamentos disponíveis para os estados hiperglicémicos foram as sulfas, a insulina e a metoformina.

Agora, as novas drogas procuram actuar nos múltiplos mecanismos fisiopatológicos do metabolismo glicídico.

Novas e excitantes estratégias estão a ser estudadas: por exemplo, a activação da glicoquinase, o bloqueio da acção do glucagon, o impedimento da reabsorção renal de glicose, o retardamento do esvaziamento gástrico, a insulina inalada e a oral.

A possibilidade de normalização da glicémia durante 24horas não parece longe e poderá ser alcançada em breve, um facto comparável ao conseguido com as estatinas, em relação ao colesterol.

Há, assim, que manter viva a esperança num futuro mais risonho.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Retinopatia diabética; prevenção - Jorge Loureiro

A diabetes pode desencadear sérios problemas oftalmológicos ao longo dos anos quando esta não é bem tratada.
Uma administração bem sucedida da doença requer um esforço conjunto.
Para evitar o aparecimento da retinopatia diabética, três importantes cuidados devem ser observados: fazer correctamente o controle glicémico; manter sob controle a pressão sanguínea; realizar o exame de visão anualmente.
A retinopatia é uma das complicações mais comuns e está presente tanto na diabetes 1 quanto na 2.
A doença é a principal causa da cegueira em idade laborativa.
Trata-se de lesões que aparecem na retina, podendo causar diversos sangramentos.
Neste ano, a Associação Americana de Diabetes terá como tema do Dia de Alerta Sobre Diabetes a retinopatia.
O evento será realizado no dia 5 de outubro, no IMO de São Paulo, Brasil.

Diabetes: sua classificação - Jorge Loureiro

A diabetes mellitus ocorre quando o organismo pára de produzir insulina ou não consegue utilizá-la adequadamente.
Caracteriza-se pelos altos níveis de glicose no sangue (hiperglicemia).
É classificada da seguinte forma:
Diabetes tipo 1 - Causada por uma destruição das células beta, produtoras de insulina.
O tratamento da diabetes tipo 1, na maioria dos casos, consiste num programa de educação com o paciente, na aplicação diária de insulina, na dieta e na prática de exercícios físicos;
Diabetes tipo 2 - Neste tipo de diabetes há uma grande relação com a obesidade, com o sedentarismo e com a genética. Uma das características é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas;
Diabetes gestacional - é a alteração das taxas de açúcar no sangue que aparece ou é detectada pela primeira vez na gravidez. Pode persistir ou desaparecer depois do parto.
Há outras variações da diabetes em estudo. Saiba mais.

Nova técnica cirúrgica de tratamento da Diabetes Tipo 2 - Jorge Loureiro

Uma nova cirurgia, que supostamente permite curar a diabetes tipo II, começou a ser realizada num hospital público da Costa Rica, com considerável sucesso, informou nesta sexta-feira (21/9/07) a equipa médica responsável pelo procedimento.
"A cirurgia metabólica surgiu de observações realizadas em pacientes submetidos à cirurgia de gastroplastia, que é praticada para reduzir peso em pacientes obesos", explicou o médico Víctor Manuel Ruiz, responsável pela equipe de cirurgiões do hospital Calderón Guardia, de San José.
"Há algum tempo observámos que os pacientes com gastroplastia não só diminuíam os seus pesos como melhoravam significativamente de doenças como diabetes e hipertensão, e chegàmos a conclusão de que, em parte, era porque a comida deixava de passar através do duodeno e o jejuno, que constituem a primeira parte do intestino delgado", precisou Ruiz.
O médico afirmou ainda que esse tipo de cirurgia só é feita no Brasil e no México.
Na Costa Rica já foram realizadas três experiências com êxito.
Além desses três países, a técnica já foi testada na Europa, onde tem dado excelentes resultados.
Segundo Ruiz, a cirurgia metabólica para curar a diabetes é menos complexa que a de gastroplastia e só necessita de pequenas incisões abdominais (laparoscopia), o que faz com que a recuperação dos pacientes seja mais rápida e com menos complicações.

Nova técnica de tratamento da Diabetes Tipo 2 - Jorge Loureiro

Uma nova técnica de tratamento da diabetes, através de cirurgia, está a ser aplicada em fase experimental e foi apresentada no Porto, no âmbito do XII Congresso Mundial da Cirurgia da Obesidade.
O autor da técnica é o médico italiano Francesco Rubino, que apresentou alguns dos seus resultados na reunião que decorreu no edifício da Alfândega.
Este tipo de cirurgia ainda está na fase 1 de desenvolvimento e em menos de cinco anos não são esperados resultados fiáveis.
A ideia é que se pode desviar o eixo do fígado e do pâncreas fazendo os alimentos chegar mais concentrados ao intestino delgado, evitando assim o desenvolvimento de diabetes.
A cirurgia abdominal consiste em retirar o duodeno, parte superior do intestino delgado, e assim reduzir o tempo em que o corpo absorve as calorias da comida ingerida.
Francesco Rubino e a sua equipa internacional e multidisciplinar acham que o duodeno poderia ser a última causa de resistência à insulina, a causadora da diabetes.
Já ocorrem operações destas na Itália, no Brasil, nos EUA.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A Diabetes e a Alimentação - Encontro de Viseu (Helena Victor)

O encontro de Viseu – A Diabetes e a Alimentação

O tema do encontro visou sensibilizar a população, as crianças e os jovens diabéticos, da zona centro, para uma das formas de prevenir e controlar a doença: fazer uma alimentação saudável, equilibrada e adequada ao tratamento.

Esta campanha estava inserida no plano de actividades da Associação dos DTT.

Ficámos a saber que as necessidades calóricas variam de acordo com alguns parâmetros tais como: a idade, o peso, a altura, o estado nutricional e principalmente o tipo de actividade física.

Assim, se o diabético é uma criança ou um jovem, a sua alimentação deve ser caloricamente adaptada às diferentes fases de crescimento, desenvolvimento e actividade física.

Neste dia foi promovida uma campanha formativa que pretendeu sensibilizar os participantes para estilos de vida mais saudáveis ao nível da alimentação e do exercício físico.

Às vezes torna-se difícil, mas é indis­pensável manter a rotina do trata­mento e do rigor alimentar. Só assim o diabético poderá ter uma vida cheia de saúde.

Este encontro teve, ainda, como objectivo o partilhar de experiências e o convívio entre as crianças e jo­vens diabéticos, suas famílias e técnicos de saúde.

Depois do almoço servido nas instalações da Federação da Região Vinícola do Dão, os 285 participantes (diabéticos e suas famílias) participaram num conjunto atractivo de actividades com vários formatos e cores: tiro com arco, matraquilhos humanos e insufláveis para os mais pequenos.

As actividades de animação proporcionaram às crianças e aos jovens um dia inesquecível, pleno de przaer, emoção e diversão em segurança e na companhia de familiares e amigos.

Helena Victor – mãe de jovem DTT

A minha caminhada - Samuel Tavares Lopes

A minha caminhada

Olá a todos! Eu chamo-me Samuel e tenho 12 ano; sou diabético desde que me diagnosticaram a doença a 5 de Dezembro de 2002.

Daí até agora, não tem sido fácil, mas o conselho que dou é que com força de vontade tudo se faz, e podem crer, há bem pior.

Agora gostaria de dar a minha opinião sobre o Encontro de crianças e jovens diabéticos que se realizou a 22 de Maio de 2005. Acho bem fazerem estes encontros porque os jovens diabéticos não se sentem discriminados, e para além disso, servem também para trocar experiências sobre a doença, que só nos faz encarar melhor o nosso futuro.

Dou os parabéns aos profissionais médicos, enfermeiros e auxiliares do Hospital de S.Teotónio, que me têm acompanhado no meu percurso, em especial à Drª Graça Carvalho e à Enfermeira São Luís.

Assim me despeço desejando sorte a todos os diabéticos e suas famílias

Samuel Tavares Lopes – Jovem DTT